segunda-feira, 4 de janeiro de 2016

Um longo e teneb... mentira, por aqui tá tudo médio


Quando a coisa aperta venho pra cá!

Deve ser pela proximidade, por estar tudo à mão, por poder me enxergar de perto, editado claro, porém não apareci pra fazer reflexões, vim pra relaxar.

O ideal é refletir só ao editar pra assim arredondar os cantos e não machucar, cuidado difícil de ter no téte-à-téte, nos encontros diários com nós mesmos.


Estando aqui olho pros lados e só enxergo espelhos, posso me ver, consigo.


A grama alta quase cobre o caminho até a escada, cheia de ervas daninhas que darão um trabalhão da porra pra tirar e por isso ficarão pr'uma próxima empreitada.

O rangido dos primeiros degraus assusta, mas são só quatro e já estou de frente pra porta que está encostada do jeito que deixei, sem travar.

Pouca poeira, esse clima úmido tem suas vantagens.


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O primeiro esguicho de água sai vermelho, parecendo um pigarro de fumante, alguns segundos depois a ferrugem já desceu pelo ralo e posso encher a panela, ainda bem que sempre tem gás e o chá continua guardado no mesmo lugar.

Começou a ferver, desligo, três colheres está ótimo pra ficar bem escuro.

Deixo rolar a infusão e vou pegar um limão no quintal. Um semi roubo já que o pé é do vizinho mas também faz sombra desse lado.
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No meio do silêncio só o barulho da casa velha se acomodando.

Tudo é humano, escadas, portas, fogão e geladeira, chão, piso e mesa, mas os humanos estão longe por enquanto, ainda bem.


2016, caralho! - penso
2016, CARALHO! - grito


Dizem que "sempre dá pra corrigir a rota" e sempre espero que seja verdade.

Confesso que de vez em quando deixo-me confortar com essas "esperanças" que nos lançam por ai, no Facebook, no fim do Fantástico ou são ditas por algum personagem de bosta que morre no primeiro capítulo.


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Ufa! Não falhei de novo, a forminha está completa!

Tiro todas as pedras e já completo com água, afinal tenho que me manter invicto.

Pego um long drink no escorredor, espremo o limão, encho de gelo até a boca e o chá já quase frio cai pela peneira estralando o gelo, nem preciso mexer.

Tears, opa digo, CHEERS!!!!

Saúde e um bom ano pra nós!
Sobreviveremos!
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terça-feira, 22 de abril de 2014

Calejou


Depois de tanta navalhada a couraça ficou grossa demais. Como os dedos dos músicos, as canelas dos jogadores de futebol e os narizes dos boxeadores está cada dia mais difícil deixar marca, abalar, desestruturar.

O difícil é saber se é ruim ou bom.

terça-feira, 19 de novembro de 2013

Onde desliga?



Sexta-feira e ia ter festa.

Era o dia daquela outra festa que acabou não rolando.

Cheguei do trabalho rápido, estranho mas não tava transito, difícil acontecer.

Sentei no sofá, zapeei os canais, fumei, tava com preguiça de cozinhar.

Liguei o som, o novo disco do Daft Punk, aumentei, peguei uma cerveja e fui tomar banho.

Do banheiro o som parecia estar alto demais, voltei pra sala abaixei um pouco.

Devo ter demorado uns 30 minutos ou mais pra completar todo o processo.

Me sequei e deixei a toalha pendurada no banheiro. Esses pequenos prazeres da vida, andar pelado pela casa é uma dádiva que só quem mora sozinho sabe o valor.

Fiquei pelado mais algum tempo, troquei a musica, comi alguma coisa, ainda não tinha me convencido a cozinhar.

Resolvi que ia sair de casa meia-noite, assim chegaria já com todo mundo lá.

Enrolei, fiquei fuçando nos canais mais um pouco, olhei o Instagram umas dezenas de vezes, Facebook, esperando o tempo passar.

Me vesti, peguei o capacete, a jaqueta, desci. A moto demorou pra ligar, já tava parada fazia uma semana ou mais, pensei em ir de taxi, sabia que ia beber, mas não.

Tava calor, o céu limpo, a brisa morna no rosto, a jaqueta aberta, aquele ventão no peito, fiz até um caminho mais longo só pra aproveitar um pouco mais.

Cheguei e todo mundo na porta já meio bêbado, de cara me apaixonei pela garota que disse que não ia entrar, tá bom então.

1:30hs da manhã entramos, alguém estava tocando um som que não era ruim, mas também não posso afirmar que era bom.

Tentei me manter ali, conversei com algumas pessoas, mas a musica tava muito alta. Tomei 2 cervejas e fui embora. Sai a francesa, tava mal, angustiado.

Tive contato com esse sentimento pela primeira vez há menos de um ano.

Fui pra casa, entrei na banheira, derreti.

Acordei e já não estava mais aqui, não havia banheira, não havia água derramando, nem calor, nem frio, só um silêncio surdo, tudo branco ou preto quando fechava os olhos.

Já não tinha mais que resolver nada, não sofria por ninguém, meu cérebro era como o de um recém nascido, limpo, puro, vazio, sem informações conflitantes, meu eu não queria mais saber de nada, não precisava, estava em sua plenitude, formatado, nenhum arquivo corrompido, mantinha-me vivo apenas empurrado pelos impulsos naturais.

Livre de todo o peso de saber, de ter aprendido algo.

Simplesmente livre, sem consciência.

Fora.

Onde desliga?  



quinta-feira, 5 de setembro de 2013

Domingo



O sabonete da que que ficou dois dias
O brinco da que passou 
O grampo da que dormiu sem nem dar boa noite
A escova de dentes da que chegava bêbada
As lentes da que dormiu na sala
O perfume da que demorou uma semana pra ir
A meia fina da que trouxe outras coisas
O filme da que veio jantar
Os cabelos da que tomou banho
O livro da que só vinha reclamar
A bolsa da que voltou no outro dia
A caneca das que passaram um fim de semana
O relógio da que não tinha hora pra ir
O vinho da que só veio chorar
A seda da que veio filar
Os desenhos da que vinha discutir
A camisa da que trazia alegria consigo 
O prato da que chegou e sumiu
A farinha da que vinha cozinhar
O anel da que não tinha onde dormir
E as manhãs de domingo que se estendiam até tarde da noite.


segunda-feira, 10 de junho de 2013

Segundo Ato - O Enterro



Quando nasceu assustou a todos. Todos que sabiam da sua existência, o pai Sr. Tomé e a  Dna. Augusta, a mãe.

Pra Dna. Augusta, aquilo não era novidade, ter e perder era uma coisa comum, tinha tido alguns, perdido outros e continuava levando a vida, a ideia era não se apegar.

Para o pai a história era outra, ainda sofria com a perda do último, pois, contrariando toda a teoria que vinha desenvolvendo ao longo da vida, a este se apegou.

As coisas andavam bem ali, isolados.

Desta vez preferiram assim, só os dois, sem família, sem amigos íntimos ou antigos, só um vizinho ou outro que passava por ali indo pra cidade ou voltando, trocavam meia dúzia de palavras e partiam.

Longe da vista de todos, foram alimentando e dando tudo que era necessário para crescer, mas sempre negando sua existência.

A Dna. Augusta sabia como as coisas funcionavam, mas aceitava bem a presença dele ali, já o Sr. Tomé estava vivendo um misto de negação e incredulidade, pensava estar livre daquilo depois já ter sofrido tanto e acreditava ter calos suficientes na alma pra não cair de novo nessa armadilha. “Me mantendo longe estou imune” repetia pra si quando estava sozinho.

Um dia o Sr. Tomé resolveu partir deixando a Dna. Augusta pra trás, não deu muita explicação, saiu dizendo que ia pra cidade e que ficaria uns dias fora.

Muitos meses se passaram e ele voltou esperando encontra-la de braços abertos, porém encontrou-a tocando a vida como se ele não existisse e nem tivesse existido.

Não o tratou mal, não fez grosserias. Recebeu ele, deixou comer e passar a noite.

Na manhã seguinte quando acordou, ela estava em pé ao lado da porta com sua mala pronta e o fruto daquela relação no colo.

Sem dizer uma só palavra esperou Sr. Tomé se arrumar, comer e olhar mais uma vez aquele lugar que um dia chamou de lar. Se aproximou e entregou tudo pra ele.

Não precisou dizer nada, ele sabia que precisava partir pela última vez.

...

Andou uma hora e meia, duas horas por aquela estrada de terra, naquele silêncio pensando em como seria dali em diante, parou, entrou no mato uns 200 metros se afastando da estrada.

Tirou da trouxa que carregava a pá, encaixou o cabo e começou a cavar.

Cavou uma cova rasa - talvez fosse até melhor que os animais encontrassem e sumisse logo com aquilo – colocou dentro e cobriu com terra, virou as costas, voltou pra estrada e continuou.  


quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

Diga logo, dialogo!


Ela:

- Fazia tempo que não sentia isso e ainda não entendo o que é. Na realidade nem sei se já senti isso alguma outra vez. Passam as horas, os dias, os meses e nada muda, um buraco ocupa o lugar onde sempre esteve a felicidade. Ainda me questiono se era felicidade, se a verdade não é isso que agora estou vivendo e até então estava me enganando.

A dor parece tão mais real.

Classifiquei como amor, deve ser porque não sabia que nome dar, deve ser porque talvez nunca tenha amado, talvez seja porque talvez não saiba preencher com certeza o lugar onde esse monte de talvez se encaixe.

Todo dia cinza, todo dia vazio, toda vez que paro, toda vez que não preencho o tempo com um monte de coisas inúteis, tudo volta.

Trocada! Será que é isso? Substituida! Será que esse é o problema? Será que não aprendi a perder? Tenho preferido acreditar nisso, aparentemente melhor que acreditar no amor, já que nem sei o que é isso.

Mas mesmo assim nada muda, a dor permanece, a distância, a tristeza de não ter conseguido mostrar, dar, fazer tudo que podia por você. Queria tanto você de volta, não por um sentimento egoísta de satisfação pessoal, mas para lhe dar tudo que deixei de lado, tudo que reprimi com medo de me prender, com medo de não conseguir arcar com as consequências, com medo de me mostrar demais. Corrigir os erros cometidos, as atitudes individualistas, as vezes que não dei o braço a torcer, as vezes que preferi fazer sozinha do meu jeito ao invés de fazer junto do nosso jeito.

Cada mancada, mesmo que você não tenha interpretado assim, pesa sobre mim. Livro-me da consciência por uma, duas semanas e de repente tudo volta.

Essa compaixão, esse altruísmo, essa vontade de mostrar, de ter você, de sentir mais uma vez seu cheiro, de conversar por horas, de passar os domingos de sol e de chuva juntos, de acordar, olhar para o lado e querer dormir mais pouco só porque é você quem está deitado comigo, ficar encostada sem roupa sentindo como nossas peles são compatíveis, perder um tempão pensando o que iremos almoçar, olhar pra cada coisa nas vitrines e querer lhe dar, não consigo interpretar isso de outra forma, só pode ser amor.

É simples dizer agora:

Te amo.

Ele:

- É, sei! Mas acabou! Acabou! Você chegou tarde demais.

Tá?



quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

De repente



Em uma atitude idiota pensei em acabar com minha vida
Em uma atitude egoísta pensei em acabar com a dela
Em uma atitude altruísta pensei em acabar com mundo e livrar todos de todos os problemas
E até pensei, num lapso suicida, em acabar com o amor
...e ai em um momento impotência silenciei. Hoje lembrei de onde vem a força, tempo.



quinta-feira, 1 de novembro de 2012

Síndrome de Estocolmo



Quando ele chegou, ela ainda não tinha consertado os estragos do último arrombamento. Ainda se recuperando das sequelas foi levada para fora daquela bagunça onde se encontrava. Não tinha quase nada em casa, os poucos móveis e as coisas espalhadas era uma representação física de como estava por dentro.

Na última vez as coisas não acabaram nada bem, após dias de negociação e ambos os lados já exauridos, ela acabou fugindo deixando tudo pra trás.

Mas dessa vez mesmo querendo lutar contra, a estratégia dele era outra, não havia armas que conhecia que pudessem ser usadas. Ele era encantador e como uma aranha envolve uma mosca, ele a envolveu. Ela deixou.

Quando se deu conta aquilo já não era mais o que tinha começado, a pureza e delicadeza que emanavam dele era algo que pelo que ela lembrava nunca tinha sentido. Onde estavam? Era muito longe e ali todos os problemas tinham ficado pra trás, meses se passaram, seu emprego e sua casa como estavam? E aquelas preocupações que todo mundo tem? Esse não era o problema, não até se pensar neles.

Ele sabia o que queria. Ela estava ali tentando entender onde estava.

Ele já estava calejado, já tinha feito aquilo outras vezes, sabia como tudo terminava, ela como fez a vida toda descobria a cada vez que vivia, mas sempre fingia que tinha trazido alguma experiência, ou pelo menos tentava se convencer de que saberia como agir.

Um dia ela disse que ia comprar cigarros e fugiu.

Não conseguiu ir muito longe. Nem bem tinha conseguido achar o caminho de volta e começou a se questionar para onde estava voltando? Pra onde queria ir? Aquilo era voltar? Ela não tinha nada.

Mas sempre foi assim, sempre foi muito precavida, demorava em chamar alguém de amigo, pra dizer que gostava de alguém, pra mostrar o que sentia.

Voltou. Acho que ele nem percebeu, ou entendeu o que tinha acontecido, ou foi mesmo discreto e fingiu não ter percebido a dúvida dela.

Aquele nó não saiu da garganta dela.

Nem bem amanheceu o dia e ela já tinha ido novamente, dessa vez não precisou de bilhete, não tinha como fingir que nada aconteceu. Ela se sentia uma traidora, mesmo sem nunca ter traído, uma mentirosa mesmo sem nunca ter mentindo, o contrato tácito que tinha assinado a pressionava mesmo sem nunca ter havido uma cobrança, ela não sabia o que estava fazendo ali. Como isso começou? Tenho que arrumar a porta.

Voltou pra lugar nenhum e quando chegou lá viu que a porta estava arrumada. Ele veio aqui sem eu perceber e arrumou?

Quando entendeu tentou voltar, agora sabia que estava voltando, que ali era onde queria estar, que era dali que não queria ter saído, mas ele que sabia das coisas, assim como ela fez quando fugiu, não acreditou na capacidade que amor tem de nos mol(mu)dar.

Existem outros sequestros para serem praticados.




terça-feira, 30 de outubro de 2012

Consegui


Agora, um ano depois, consegui recuperar meu blog, agora também preciso recuperar meu hábito de escrever.

:)

quarta-feira, 29 de junho de 2011

62 anos


Da esquina vi o muro alto, foi ali que disseram que ele estaria. A cor azul não agradou muito, mas destoava bem das outras casas, o que não decepcionou. O muro só fazia a moldura para o portão que ocupava grande parte da frente da casa e permitia uma visão completa dela.

Quando passei na frente do portão os cachorros começaram a latir, o que o fez sair pela porta. Acredito que ele tenha estranhado os cachorros estarem confusos entre latir e chorar, como quando ele chegava.

Sei lá como isso deve funcionar, mas imagino tudo como um grande deja-vú, do início dos latidos até a hora que sentamos para conversar. Nem imagino o que sentirei, o grande prazer deve estar ai.

A primeira pergunta dele, após se abraçar, foi: como é possível?

Não sabia responder. Estava lá e pronto.

Cada um com um cachorro no colo, fazendo as mesmas gracinhas.

- Como está a Pepsi? – ele perguntou.

Não pude segurar as lagrimas que escorreram, senti que não precisava, mesmo tendo a consciência de que sempre tentava conter, mesmo sozinho.

Sei lá porque senti aquele nó na garganta, deve ter sido pela situação tão singular ou por imaginar a vida sem minha magrela.

- Ela está ótima, do mesmo jeito que você deve lembrar, querendo dormir na cama embaixo do edredom, me acordando todos os dias com aquele chorinho de alegria e correndo igual a um coelho na rua.

Ai, quem ficou com os olhos mareados foi ele.

Deu para sentir que seria uma conversa difícil.

Colocando-me na posição dele – o que não foi difícil – tentei imaginar o que falaria. Só que com 62 anos não conseguia nem vislumbrar como estaria.

Não parecia tão afobado quanto hoje, imagino que não como ontem também, mas as pernas balançando, as mãos sempre fazendo algo e os olhos inquietos continuavam iguais.

A aparência era esperada, só imaginei com mais tatuagens, talvez tenha me tornado mais conservador com o passar dos anos.

Não sabia quanto tempo iria durar, mas tinha a certeza que nunca mais ocorreria, então resolvi aproveitar o tempo.

Durante aqueles longos segundos que passaram tentei formular a pergunta que daria inicio.

O leque de temas era muito amplo, qual área deveria abordar? Com o que deveria me preocupar? Não sei por que - e até hoje procuro entender – fiquei tão preocupado com o que ele ia pensar de mim.

Com certeza esse é o mal que mais me aflige e ali na minha frente, onde deveria me sentir totalmente à vontade, estava encanado com isso. Porra, já tinha até chorado!

Qual conselho poderia ser dado para aliviar o peso de viver? Em qual área precisava de algum conselho? Um só ponto de alívio. Estava ali na frente de alguém que poderia me aconselhar a ter uma vida mais fácil em algum sentido e nenhuma pergunta meu cérebro conseguia formular.

Olhei para aquela casa, aquele monte de cachorro:

- Sou casado? – foi o que saiu.

Ele riu!

- Não vou responder isso.

- Antes que isso acabe, gostaria de lhe dar um só conselho, afinal lembro-me que você não conseguirá fazer nenhuma pergunta.

- Relaxe. Você não tem como controlar tudo. – Continuou rindo.

- Esse é o conselho?

- Veja que sei o quanto sofri com isso e quanto isso maximizou nossa dor. Entendo o quanto isso está enraizado em você e espero que cheguemos aqui de uma forma muito mais tranquila.

-

3 da manhã, terça-feira, 2011 – estava no visor do celular, enfiei no bolso rapidinho.

Lugar estranho, tudo escuro, deserto. Levantei batendo a sujeira sem entender nada, desci duas vielas quase correndo, uma grande avenida, um táxi.

Estava de volta.



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